Grandes Hiatos (ou onde esteve Bernardo Bertolucci?), belos inícios (ou por favor conheça Pedro Viáfora!) e por que mais um Romeu e Julieta?

Grandes Hiatos (ou onde esteve Bernardo Bertolucci?), belos inícios (ou por favor conheça Pedro Viáfora!) e por que mais um Romeu e Julieta?

Há algo de muito satisfatório em diretores como Woody Allen, que nos dão um filme por ano, religiosamente. Mas há também um gosto todo especial em esperar pelo filme de alguém que admiramos. Aquela noção fundamental de que arte não se faz de um dia para o outro, muito menos a cinematográfica. E o sabor que os anos trazem aos assuntos, ao pensamento ético, à estética. O que se deve chamar “maturidade”, enfim.

Esperou-se cinco anos entre Sangue Negro e O Mestre, de Paul Thomas Anderson. Esperou-se 20 entre Dias de Paraíso e Além da Linha Vermelha, de Terrence Malick (e seis desse para O Novo Mundo e mais seis para A Árvore da Vida e, pasmem!, apenas dois para o novo filme, Amor Pleno – nos cinemas em 31 de maio).

Sim, nós sabemos que 31 de maio extravasa ‘esta semana’, mas é bom ir tomando um fôlego antecipado extra para Malick.

terrence malick, amor pleno

Antônia, de Tata Amaral, estreou em 2007, depois de ter virado uma série para TV, exibida antes do longa metragem. São, portanto, seis anos que o separam do lançamento de Hoje, em cartaz a partir dessa semana. O que já seria motivo suficiente para vê-lo, não fosse ainda a fulgurante presença de Denise Fraga, dando a dimensão da atriz dramática que é (“como se houvesse essa dicotomia”, dirão os sábios).

hoje, de tata amaral

Mas a semana é também de um outro insuspeito retorno: o de Marcos Bernstein, que dirigiu o excelente O Outro Lado da Rua, em 2004. Assim como Tata, não é que ele tenha ficado catalogando aves durante todos esses anos. Bem pelo contrário: roteirizou um sem número de obras para a televisão e cinema. Mas seu longa metragem de estreia, que contrapunha Fernanda Montenegro e Raul Cortez como vizinhos de apartamentos opostos, era tão promissor que foi levemente doída essa quase uma década de curiosidade para o passo seguinte de Bernstein na direção.

Essa semana chega aos cinemas sua refilmagem de Meu Pé de Laranja Lima, adaptado da obra juvenil de José Mauro de Vanconcelos – obra que já rendeu filme e série de televisão. Que Marcos Bernstein, um roteirista tarimbado e diretor bissexto, tenha optado por fazer uma nova leitura de uma história já tão explorada é só mais um motivo para abrir os paladares para esse novo filme. Ou assim queremos crer.

meu pé de laranja lima, josé de abreu

Notinha: o menino prodígio em questão é João Guilherme Ávila, filho do cantor sertanejo Leonardo, e que vem recebendo muitos elogios por sua atuação ao lado de José de Abreu.

Mas nenhuma espera deve ter sido tão exasperante para os cinéfilos quanto os 10 anos que separam Os Sonhadores do novo filme de Bernardo BertolucciEu e Você – também estreando essa semana.

eu-e-voce-bertolucci

Após a década de 90, em que assinou O Pequeno Buda (1993), Beleza Roubada (1996) e Assédio (1998), além do já mencionado Os Sonhadores, na década seguinte, o diretor italiano volta a velhos temas tão naturais: uma trama geograficamente bem delimitada, transpirando juventude, filmada com atores semi desconhecidos e com a polêmica do tema (incesto) pairando no ar.

dora_tv

Se esses três retornos não são motivo para fazer você ir ao cinema, ao menos arrisque-se, em casa, a assistir ao telefilme Phil Spector, roteiro e direção de David Mamet, com Al Pacino e Helen Mirren, ninguém menos. Foi ao ar na televisão americana semana passada e Mamet não dirigia um filme desde Cinturão Vermelho, de 2008.

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A sugestão musical da temporada é Pedro Viáfora em seu primeiro disco, Feliz pra Cachorro. Assim como Vinicius Calderoni, que esteve há pouco no Doravante, Pedro integra o grupo 5 a Seco.

pedro viáfora feliz pra cachorro

Pedro Viáfora em foto de arquivo pessoal

Seu aguardado trabalho solo traz 11 faixas, das quais uma, por enquanto, já pode ser ouvida no Sound Cloud.

O que importa é a alegria
Mostrar que veio pra ficar
Se hospedar no dia a dia
E não se acomodar

Mas o que somos nós?
São tantos sinais
Somos tão sós…

Dá pra saber mais e comprar o disco pelo site do artista, no ar desde a semana passada!

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E nos perguntamos, sobre o trailer da semana: quantas adaptações cinematográficas aparentemente repetitivas de Romeu e Julieta o cinema ainda quer (ainda que seja para Hailee Steinfeld mostrar para onde vai após Bravura Indômita)?

romeu e julieta trailer

fotografia da Denise Fraga em Hoje: Ding Musa | demais imagens: divulgação dos filmes

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