South Park

O Lado Musical

Nós nunca superaremos A Rede Social e David Fincher terem perdido o Oscar para O Discurso do Rei e Tom Hooper.

Nunca superaremos.

“Nós nunca superaremos”.

Dito isso, podemos passar batidos pelo fato de a transposição cinematográfica de Os Miseráveis ser bem menos que excelente. Porque Os Miseráveis, desde sempre, é um musical chato. Com dois ou três temas cativantes, mas unidimensional, com personagens episódicos e funcionais – enfim, chato.

Então que Tom Hooper tenha feito um filme à altura de sua estatura medíocre como cineasta, cheio de movimentos de câmera e grandes angulares insossos, com uma identidade visual truncada e sem um viés de linguagem fortemente estabelecido, bem, esse é o menor dos males. Dele nós já sabemos o que esperar.

Anne Hathaway, provável vencedora do Oscar

Anne Hathaway, fazendo o que pode para ajudar Os Miseráveis de Tom Hooper

Os atores fazem o que podem, claro, e Anne Hathaway deve subir para pegar seu Oscar, até porque Amy Adams, Sally Field e Jacki Weaver fazem tão pouco quanto ela (a checar o grande retorno de Helen Hunt, As Sessões, hoje, nos cinemas).

Mas o que Os Miseráveis consegue – porque teria que ser muito incompetente para não conseguir – é provocar nosso lado musical. Sim, você sabe do que eu estou falando: aquela força dentro de você que quer sair cantando no meio da rua, aquela voz que entoa belas canções dentro da sua cabeça, aquela sensação de saber a trilha sonora perfeita para o momento, no momento mesmo em que se vive o momento.

Para essa voz, dê-se o prazer de lembrar (e quiçá rever) alguns dos mais satisfatórios musicais que cruzaram nossas telas nos anos mais recentes.

SOUTH PARK: MAIOR, MELHOR E SEM CORTES (1999)
Porque você nunca vai esquecer Blame Canada.

DANÇANDO NO ESCURO (2000)
Porque você nunca, nunca vai conseguir esquecer nada do que acontece ali. E a inteligência com que Lars Von Trier concebeu e realizou o que é, a rigor, uma reinvenção dos musicais.

CHICAGO (2002)
Porque o material de origem é joia rara, além de ser das melhores trilhas de todos os tempos. E a despeito de Rob Marshall supereditar e não te deixar ver direito as (excelentes) coreografias, o nosso lado musical experimenta orgasmos múltiplos.

O SABOR DA MELANCIA (2005)
Porque você nunca viu nada parecido – e se não conhece o cinema de Tsai Ming Liang, deveria.

http://youtu.be/mg4b6jvftes

ENCANTADA (2007)
Sim, é isso mesmo. Delicie-se com a esperteza do roteiro e entenda porque Amy Adams é quem é.

SWEENEY TODD – O BARBEIRO DEMONÍACO DA RUA FLEET (2007)
Sondheim (o pai de todos nós), Burton (o tio maluco preferido), Depp (quem todos nós queríamos ser) e Bonham Carter (quem todos nós queríamos ser, mas não sabemos).

E se você estiver no espírito de menos “arte” e mais “entretenimento”, dois dos mais simbólicos musicais da Broadway tal qual a conhecemos hoje viraram filmes bastante fidedignos às suas versões teatrais. Arrisque, então, O Fantasma da Ópera (2004) e Rent (2005).

E, para finalizar, veja porque os gigantes podem tudo, assistindo a Meryl Streep em Mamma Mia! (2008).

Yes, I can!

Yes, I can!

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